Making of do documentário Lira Paulistana
Viernes, Febrero 19th, 2010
30 anos depois, voltamos para comemorar o espírito festivo-cultural do Lira Paulistana, demonstrando o quanto é possível continuar fazendo as mesmas coisas que consideramos importantes.
Foram vários eventos, desde 17 de novembro até 13 de dezembro. Ás terças e quartas no SESC Consolação, com a apresentação de um making of do documentário e shows de: Premê, Língua de Trapo, Clemente, Passoca, Alzira Espíndola, Jorge Mautner, Ná Ozzetti, Tetê Espíndola, Virginia Rosa, Arrigo Barnabé e Banda.
De quinta a domingo na FUNARTE, com uma edição comemorativa do projeto Boca no Trombone, apresentando novos artistas: O Surto, Cataia, Cumieira, Anelis Assumpção, Percutindo Mundos, Estrambelhados, Seychelles e Zabomba.
Cada noite, junto a esses grupos, se apresentaram artistas ligados ao Lira: Smack, Deo Lopes, Paranga, Isca de Policía, Instrumental Faria, Lucina, Suzana Salles, As Mercenárias, Passoca, Arrigo Barnabé, Premê e Língua de Trapo. Ainda na Funarte, pudemos ver uma exposição com material gráfico do Lira Paulistana.
E para completar a nossa autentiCIDADE fizemos um show na Praça Benedito Calixto com Passoca, Língua de Trapo, Premê, Arrigo Barnabé e a Banda Sabor de Veneno. A Praça estava cheia de velhos e novos amigos.
Poder fazer tudo isso em companhia dos meus antigos sócios, Fernandão, Chico Pardal, Gordo, e sempre com Plínio Chaves na memória, foi de enorme importância.
Que bom, poder relembrar, comemorar e ser coerente com a vida!
Riba de Castro


Inimá Simões entrevista Riba de Castro, no programa Sintonia,
da TV Camara.
Veja a seguir a entrevista, dividida em três partes.
Viagem no tempo
Memórias do Lira Paulistana
Chega de saudades
Feliz sincronicidade – convergência de acontecimentos simultâneos e
naturalmente afins – determinou a recente viagem que fiz a São Paulo.
De um lado, o lançamento do meu disco “Cabelos de Sansão” em versão CD
pela Saravá Discos. Do outro, a gravação para o documentário que está
sendo produzido tendo em vista o aniversário de 30 anos do nascimento
do Lira Paulistana. Na matriz de ambos os eventos, o movimento que
impulsionou a música (e a cultura, de forma mais ampla) na Paulicéia
do início dos anos 80, deflagrado pelo punhado de idealistas que
fundou o Lira: Wilson Souto, Chico Pardal, Plínio Chaves, Fernando
Alexandre, Riba de Castro. (”Cabelos” é o segundo disco lançado pelo
Lira Paulistana, depois de “Beleléu” de Itamar Assumpção.)
E eis que volto a cena mais de duas décadas depois, como que
assistindo a um filme fragmentado de tantas coisas que vivi em São
Paulo, onde o capítulo Lira Paulistana é não apenas especial, como
parece se reescrever ou reeditar. Reencontrar Riba, Wilson e Chico
Pardal no mesmo ambiente em que revi músicos que participaram do
“Cabelos de Sansão” – Cid Campos, Felipe Avila, Felipe Vagner, o
parceiro José Luiz Penna, Passoca… – foi como voltar no tempo para
ver o quanto o Lira estava à frente.
O trabalho de Zeca Baleiro, que redescobriu e relançou “Cabelos”, me
soa como um dos sinais virtuais desse Lira que avançou além de sua
época e que parece se recriar na Saravá Discos e onde houver indício
de alternativas para quem busca trabalhar por uma produção cultural
digna e não repetitiva. O Lira Paulistana ergueu pontes e transpôs
barreiras geográficas, misturando no mesmo caldeirão de São Paulo
artistas de diferentes Estados, variadas tendências e a mesma procura
de espaço qualificado para expressar suas respectivas propostas.
O cearense que vos tecla sente-se honrado de fazer parte dessa história.
Tiago Araripe
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Muitos dos entrevistados para o documentário, falaram sobre o espaço físico do Teatro Lira Paulistana, o famoso porão da rua Teodoro Sampaio.
A moçada da equipe de produção, que não viveu a época do Lira, sempre me fazia perguntas, tentando entender melhor como era aquele espaço. Resolvemos fazer uma visita ao antigo porão do Lira, que hoje é uma fábrica de congelados, e ficou ainda mais difícil imaginar como era o antigo teatro.
Cheguei a conclusão que fazia falta uma maquete. Resolvi então reconstruir o Lira Paulistana, sem escala, só no “olhometro?, com ajuda de minha boa memória, e das fotos do Rubens, fotógrafo, irmão do Plínio Chavez, feitas durante uma transformação visual do espaço, para comemorar a festa de 4 anos do teatro. A imagem não corresponde ao porão escuro e underground do inicio. Mostra um visual colorido, apenas mais um dos tantos momentos do Lira.
Convido quem quiser conhecer, ou relembrar o Lira, a dar um passeio pela maquete. Você poderá descer as escadas, passar pela bilheteria, depositar o ingresso na urna, ver os discos expostos para venda, o bar, a escada do iluminador, as arquibancadas, e até mesmo os camarins. Bom passeio.
Riba de Castro
A emoção sempre foi meu porto. Seguro ou inseguro. Não importa. Foi nela que sempre joguei minhas amarras. Ou soltei-as para poder navegar por mares nunca dantes ou antes navegados. Profundos ou rasos. Por tempestades e calmarias. Por marulhos e marolas. Agora não esta sendo diferente. Depois de pouco mais de vinte anos num auto exílio/asilo em uma “dobra azul do Atlântico?, volto a descer (ou a subir) a escada de um porão cheio de amnésias e memórias. Mas principalmente de muitas emoções. Emoções baratas e muito raras. Todas caras.
Riba de Castro, Samurai de Quixeramobim, parceiro de sonhos e muitas navegações, me aprisiona (ou me liberta) no porão (olha o porão aí de novo!!!) desta Nau Catarineta chamada “Lira Paulistana? que acaba de levantar ferros pra viajar por mídias nunca dantes navegadas. Um documentário, um livro e sei lá mais o que… Da Olivetti Lettera 44 para os pixels. Do palco para as telas. Vamos nessa que é bom à beça!!!
Depois de dezessete anos (isso mesmo, fazia dezessete anos que não vinha a Sampa!) reencontro no píer de embarque (ou aqui neste blog) companheiros e amigos de todas ou de muitas daquelas viagens anteriores. Pura emoção. Pura detonação. Com o Riba, o Chico, Gordo e o Plínio (isso mesmo: juro que o tempo todo que estivemos juntos aí em Sampa o Plínio tava do lado, nos olhando calmamente, como sempre…) foi muito forte o sentir de novo. Um resentir sem ressentimentos. Mas principalmente uma grande saudade. Não uma saudade nostálgica, triste, de “coisas que não voltam mais?. Mas uma grande saudade do futuro. E que hoje pode ser o presente!
“Botando mais fogo nesse inferno e tocando a Lira enquanto o caldeirão da cultura ferve no fogo e a pororoca não pega fogo!?
Fernando Alexandre

Wilson Souto

Chico Pardal

Fernando Alexandre

Riba de Castro













Chegamos ao final do ano de 2008 e damos por terminada a primeira etapa de captação de imagens para o documentário Lira Paulistana. Foram feitas 30 diárias, com 48 entrevistas e a gravação de 9 shows.
Quero agradecer a todos os entrevistados que com grande generosidade abriram as portas de suas casas e seus baús de memórias, contando histórias enriquecedoras sobre o velho Lira.
Ninguém é de ferro, e toda a equipe de gravação e produção gozará de um justo e merecido descanso até metade de janeiro, quando retomaremos o trabalho e outros depoimentos, carregados de emoções, entrarão em cena.
Durante essas pequenas férias continuaremos sonhando com este projeto, porque somos conscientes de que “quando o homem sonha, a obra nasce?.
Riba de Castro


















Alguns dos amigos que visitam este blog diariamente, comentaram que faltava texto para ilustrar as imagens, por tanto, a partir de agora, tentarei escrever algumas linhas sobre as gravações que vamos realizando, mas desde já aviso, faltam palavras e sobram emoções.
Estamos na quarta semana de trabalho, já entrevistamos mais de 30 amigos e faltam outros tantos. Confesso que só agora percebo que, tão importante quanto recuperar a memória do Lira Paulistana, tem sido reencontrar as pessoas que fizeram parte de um dos momentos mais intensos da minha vida. Rever e abraçar toda essa gente tem sido um presente dos deuses.
Mais de um amigo entrevistado, ao recordar o tempo do Lira, engasga e fica com os olhos brilhando como um poço de água em dia de lua cheia. Eu tenho tentado segurar a emoção, mas nem sempre consigo.
Em muitos momentos é inevitável pensar naqueles que não podemos entrevistar, por culpa da velha parca, mas que eu garanto, estarão muito presentes nesta empreitada: Plínio Chaves, Itamar Assumpção, Gigante, Edu Batera e Ciça do grupo Rumo.
Outra grande satisfação é contar com uma equipe de produção formada por jovens entusiasmados e muito interessados em saber mais da época do Lira, que só conheciam através de seus pais.
Por tudo isso, só posso dizer que este trabalho está valendo muito a pena. Como diz meu mestre Fernando Pessoa, Tudo vale a pena se a alma nao é pequena.
Riba de Castro
































Mauricio foi o primeiro entrevistado que vestiu a camiseta do documentário.
No mesmo dia da aterrisagem em terras brasilianas de Riba de Castro, já começaram as reuniões de produção do documentário Lira Paulistana.
A produção do documentário sobre o Lira Paulistana está a cargo de DCine.
Empresa de cinematografia digital, que trabalha com equipamentos de última geração e uma equipe de profissionais especializados em processos digitais HIGH DEFINITION.
A produtora viabiliza filmes e projetos através de iniciativas próprias, co-produções e parcerias. Os documentários são tratados com atitudes que complementam a produção técnica, como uso de tecnologias avançadas, visão internacional de produção aliadas ao respeito aos grupos, empresas e profissionais que atuam nos processos.
Riba de Castro, um dos sócios do emblemático Teatro Lira Paulistana, atualmente morando em Madrid, em breve fará o caminho de volta a São Paulo para realizar um documentário que resgatará e tornará pública a memória do Lira.
Sócios, trabalhadores, colaboradores, artistas e pessoas que estiveram entre o público do Lira, contarão a história desse fenômeno cultural, catalisador das novas tendências musicais de São Paulo, durante o período de 1979 a 1986 e que até hoje desperta interesse. Como dizia Itamar Assumpção em sua música Amigo Arrigo, “A Lira Paulistana já criou fama?.
O documentário pretende mostrar não só a indiscutível importância do Lira como palco da música de vanguarda em São Paulo, mas também registrar sua importante atuação em outras áreas como a gravação de discos, o jornalismo cultural, a produção editorial e as artes plásticas.
O objetivo deste blog é informar sobre o documentário, que está em fase de produção, e ao mesmo tempo abrir um espaço para encontro de pessoas que de alguma maneira foram cúmplices daquela aventura ou mesmo de quem não teve essa vivência, mas tem curiosidade sobre a história do Lira Paulistana.

IMAGENS DO LIRA
O movimento do Lira Paulistana representou um sopro de liberdade formal e de conteúdo para todos nós que vínhamos de um regime de exceção.
Felipe Vagner – arranjador, maestro e flautista.

Se você viveu a experiência do Lira Paulistana, conte-nos sua história.
Sócio fundador do Lira Paulistana
29 anos do Lira – Biblioteca de Pinheiros – 15/08/08
Sócio do Lira Paulistana.
29 anos do Lira – Biblioteca de Pinheiros – 22/08/08